Paróquia de São Vicente de Paulo

Curso Bíblico: Gênesis – 5ª Semana

REGIÃO EPISCOPAL SÃO JOSÉ

PARÓQUIA DE SÃO VICENTE DE PAULO

3ª URGÊNCIA DA AÇÃO EVANGELIZADORA

IGREJA, LUGAR DE ANIMAÇÃO BÍBLICA E VIDA PASTORAL

ESTUDO BÍBLICO CAPÍTULO POR CAPÍTULO

 

Objetivo – Fazer com que as nossas comunidades leiam, conheçam e ponham em prática a palavra de Deus!

 

Gênesis 5ª Semana

Introdução – No folheto da 4ª Semana, estudamos os capítulos 6, 7, 8 e 9 do Gênesis sobre o dilúvio. Assim como o poema da criação, o relato do dilúvio está muito presente no imaginário das pessoas. Muito já se escreveu sobre ele e muitos já se puseram à caça da “Arca de Noé”.

O texto do dilúvio não é único na Bíblia. Muitas culturas, povos e religiões apresentam memórias de um grande cataclisma, ou seja, uma grande catástrofe, ocorrida no passado remoto. Estes relatos vão se sobrepondo, se interligando e criando novas imagens, valorizando personagens e enriquecendo as histórias.

Os sábios de Israel estavam na Babilônia quando se escreveram os relatos do dilúvio. Lá existia um famoso conto místico chamado de Epopeia de Gilgamesh. Esta história havia sido formada entre os povos chamados acádios, que deram origem aos babilônios.Gilgamesh é um herói dos tempos antigos, um homem que deve lutar contra forças muito poderosas. Ele vence as batalhas e triunfa. Uma dessas batalhas é uma grande inundação que ocorre quando os rios Tigre e Eufrates transbordam de modo assustador. Este longo relato, em forma de poema, é também chamado de “Emumah Elish”, o que quer dizer aproximadamente, “quando lá no céu”!

A narração do dilúvio parece ser uma interpretação monoteísta e moral de uma ou mais catástrofes naturais. Os povos anteriores a Israel as viam como ação e lutas entre deuses e heróis. Israel vê como sinal de seu Deus, tanto de recriação como de salvação. Tudo isto motivado pelo pecado da humanidade. Nos textos estudados, nota-se que não há um relato do dilúvio. São vários relatos, diferentes entre si, embora o resultado final seja o

mesmo. Os relatos nos fazem entender que houve mais de um texto ou fonte utilizado para compor a história.

- Em 6,5-8, o dilúvio é motivado pela maldade do ser humano, e Deus decide acabar com tudo, inclusive com os animais, que parecem também pervertidos;

_ Em 6,12, é toda carne, todo ser vivo que está pervertido perante Deus;

- Em 7,12, o texto sugere uma chuva de 40 dias e 40 noites; já em 8,24 fala-se de 150 dias!

- Em 7,2, Noé recebe a ordem de tomar sete pares de animais classificados como puros, machos e fêmeas; além deles, deveria ir um casal de animais “não puros”; em 7,8, é apenas um casal que deve ir para a arca, independente de serem “puros ou impuros”;

- Em 7,6-10, o texto conta o início do dilúvio; em 7,11-16, faz-se uma nova introdução, com a diferença da quantidade de animais;

- Em 8,20, Noé ergue um altar para Deus identificado pelo nome com que será conhecido somente depois Moisés.

São muitas as dificuldades de compreender o texto do dilúvio como sendo unitário. O que está mais do que claro é que havia tradições a seu respeito. Elas foram unidas em uma só narração corrente.

- Em Gênesis 8,15-9,17, o texto sugere uma nova criação. Uma família, animais, plantas, possibilidades. O recomeço é uma aliança com a natureza e o arco iris é seu sinal, em Gênesis 9,12-16.

Após essa introdução, cujo objetivo é fazer um pouco à memória os capítulos anteriormente estudados, iniciamos agora o estudo dos capítulos 10 e 11.

Estudo do capítulo 10 (leia o texto)

O capítulo de Gn. 10 pode ter como títulos: os descendentes de Noé, a família humana, as nações do mundo, paternidade de Noé, lista de Noé e família das nações.

Neste capítulo, os principais povos conhecidos pelos antigos israelitas aparecem distribuídos em três grandes grupos como descendentes de Jafé (v.2-5), Cam (v.6-20) e Sem (v.21-31). Assim, esses grupos ou nações

espalhadas sobre toda a terra são, de certo modo, o resultado da bênção de Deus. As 14 nações apresentadas no texto originaram-se de Jafé. Dentre essas nações, algumas são mais conhecidas do que outras. Jafé teve os seguintes filhos: Gômer, Magegue, Madai, Java, Tubal, Meseque e Tiras. Como sabemos, o capítulo 10 de Gênesis está repleto de nomes, nações e locais que são desconhecidos da maioria de nós. Que lição podemos extrair e aplicar em nossa vida? Será que encontramos alguma lição? Se meditarmos nos procedimentos de Deus, reconheceremos a soberania no seu ato criador e sua clara intenção de levar a mensagem do salvador a todos os povos. Com isso vemos refletido o amor de Deus por sua criatura. Mesmo que não percebamos, Deus controla todo o universo e todas as nações para fazer convergir todas as coisas em favor daqueles que o amam.

Em síntese este capítulo objetiva demonstrar que a história continua, ou seja, a genealogia aqui destacada representa a continuidade da vida dentro da história.Além disso, explicar a diversidade de raças, povos, nações e línguas. Se olharmos o versículo 32, perceberemos que se trata de uma espécie de geografia política da época, mostrando o gênero humano que povoa o mundo então conhecido.

Estudo do capítulo 11 (leia o texto)

Este capítulo trata do episódio da construção da Torre de Babel. Vimos aqui que o desejo humano foi exatamente contrário à ordem divina. Enquanto Deus ordenou que povoassem a terra, os líderes convocaram seus semelhantes a se ajuntarem para construir uma cidade e uma torre a fim de não serem espalhadas por toda a terra uma vez que falavam somente uma língua e habitavam num só local, na planície da terra do Sinai.Orgulhosos e desobedientes, tomados pela arrogância, eles planejaram algo totalmente contrário aos planos divinos.

Percebemos aqui a mesma desobediência arrogante que levou Adão e Eva a se rebelarem contra a ordem divina, preferindo obedecer à sugestão do diabo, e desejando se tornarem como Deus. Trata-se da mesma arrogância invejosa de Caim, que o levou a assassinar seu irmão Abel por ter sido rejeitado no sacrifício oferecido a Deus. Percebemos ainda, o mesmo desprezo arrogante dos contemporâneos de Noé, que os levou a rejeitar a

mensagem do juízo divino através do dilúvio, fazendo-os perecer. E, por fim, vimos o desejo manipulador dos seus semelhantes.

Todas essas inúmeras atitudes erradas, desde o início da criação, agora são vistas e concentradas na desobediência dessa geração à ordem divina claramente exposta: povoai a terra.Ao invés de povoar habitando todos os lugares do planeta, essa geração ajuntou-se para desobedecer e começou a construir uma torre para tornar célebre o seu nome. Infelizmente, esse é o coração humano de todos os tempos!

A torre construída era um tipo de templo da Mesopotâmia conhecido como “Zigurati”, que tinha uma base quadrada e as quatro paredes laterais iam sendo construídas em degraus, com cada degrau superior sendo menor que o inferior. No topo dessa torre era colocada um altar para oferecer sacrifícios ao Sol, à Lua e as estrelas. O desejo daquela geração era construir uma torre, uma espécie de escadaria que, conforme supunham, levaria o homem até o céu para dali dominar toda a criação e se proteger de um futuro dilúvio.

Porém, sabemos que, embora possamos ter bons planos e elaborar boas estratégias e realizações, quando não os submetemos a Deus, tudo pode ser desfeito em um momento! Foi exatamente isso que aconteceu (vv.5-9).

Três meditações fazemos desses versículos. Primeiro, Deus viu a intenção do coração humano e agiu soberanamente provocando a divisão dos homens pela variação de línguas. É assim que Deus age. Por ser soberano, quando percebe que em nossos planos a sua vontade não está sendo respeitada, Ele mesmo, conforme o seu querer, age soberanamente impedindo-nos de ter outras ações que o desagradem e nos sejam prejudiciais.

Segundo, o uso do plural nos verbos (v.7) “vinde desçamos e confundamos”. A convocação “vinde”, que foi usada quando os homens foram desafiados a construir a torre, agora é empregada para impedir que eles cometam tal desatino. É interessante notar que o uso do plural indica a ação das três pessoas da Trindade agindo de acordo com o plano divino previamente traçado. É a mesma expressão “façamos” (Gn. 1,26).

Terceiro, devemos observar o nome da cidade construída: Babel. Para os babilônios, esse nome significava “portal dos deuses”, denotando a

idolatria que era praticada contra Deus. No hebraico, seu sentido é “confundir”. E mais uma vez encontramos o texto bíblico fazendo uso de um jogo de palavras com Babel, indicando a “confusão” de línguas que ali ocorreu. Este nome deu origem a Babilônia, uma cidade, um estado, uma sociedade ateísta, mas ao mesmo tempo idólatra, com grandes pretensões. Uma nação perseguida. (Dn. 3); um povo que buscava os prazeres, os pecados e as superstições (Is. 47,8-13); uma cidade que queria chegar ao céu com sua torre, mas que chegou até o céu por sua enorme quantidade de pecados (Ap.18,5). Por tudo isso, foi derrubada e simboliza a queda do mal no final dos tempos, conforme está descrito em Apocalipse.

Outra lição interessante que este relato ainda destaca é o amor de Deus ao dispersar o homem através da confusão das línguas, para que ele habitasse todo o planeta criado por sua causa. Esse ato é contrastado com Atos 2, quando também, por amor, Deus permitiu que através de uma nova linguagem, a linguagem do Evangelho, a linguagem do Espírito, todos os que cressem dentre qualquer povo, tribo, língua, raça e nação fossem novamente irmanados na família de Deus, sendo todos participantes do corpo de Cristo. Quem realizou essa obra foi o Espírito Santo, que no dia de Pentecoste veio inaugurar essa nova etapa no relacionamento de Deus com o homem. Podemos dizer que Pentecoste foi a inversão de Babel. Enquanto Babel foi a confusão de línguas, Pentecoste foi o entendimento porque era uma única língua: o amor.

Exercícios

1. Na introdução deste folheto (5ª Semana), faz-se um repasse do folheto da 4ª Semana, nos capítulos 6, 7,8 e 9 sobre o dilúvio. Você poderia fazer uma síntese dessa introdução sobre o dilúvio?

2. Qual a relação que existe no capítulo 10 – a lista dos povos com o povo de Israel que nascerá de Abraão ?

3. No capítulo 11, a confusão das línguas e a dispersão é coisa boa ou má? Por que e para quem?

4. O orgulho, a arrogância e autossuficiência encontrada no capítulo 11, fazem lembrar outras passagens do Gênesis estudadas anteriormente. Quais? Comente:

5. Dê o significado de :

a) Babel

b) Torre

c) “vinde, desçamos e confundamos”

d) Inversão de Pentecoste

Textos Bíblicos do Gênesis que estão na liturgia

- 6ª Semana do Tempo Comum, 6ª feira do ano Ímpar. Gn. 11,1-9

●REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DE APROFUNDAMENTO

● Bíblia de Jerusalém

● Storniolo, Ivo – Balancin E., Como ler o Livro do Gênesis, São Paulo: Paulus 1991

● Bergant, D. – Karris.R, The Collegeville Bible Commentary.Minnesota :EUA - 1989

●Deisseler, Alfons., O anúncio do Antigo Testamento, Saão Paulo: Paulus 1984

●Ravasi, Gianfranco., A narrativa do Céu – As histórias, as ideias e os personagens do Antigo Testamento, São Paulo: Paulinas 1999

●Bright, John., História de Israel, São Paulo: Paulus 2000

●Pierre,Grelet., Homme qui es tu ? les onze premieres chapitres de la Génèse, Paris, Cerf 1973

●Drolet, Gilles., Compredre l’Ancien Testament, Canada 2006

●São Geronimo., Antigo Testamento, São Paulo: Paulus 2011

●Anotações do Pe. Neto

 

ELABORAÇÃO – Pe. Raimundo Nonato de Oliveira Neto – Pároco da Paróquia de São Vicente de Paulo e Especialista em Teologia Bíblica.

REVISÃO – Pe. Emílio César Porto Cabral – Pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição – Messejana e Mestre em Teologia Bíblica.   

Mensagem

...Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.

Este é o primeiro e grande mandamento.

E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo...

Eventos