Paróquia de São Vicente de Paulo

Curso Bíblico: Gênesis – 7ª Semana

 

REGIÃO EPISCOPAL SÃO JOSÉ
PARÓQUIA DE SÃO VICENTE DE PAULO
3ª URGÊNCIA DA AÇÃO EVANGELIZADORA
IGREJA, LUGAR DE ANIMAÇÃO BÍBLICA E VIDA PASTORAL
ESTUDO BÍBLICO CAPÍTULO POR CAPÍTULO

Objetivo: Fazer com que as nossas comunidades leiam, conheçam e ponham em prática a Palavra de Deus.

GÊNESIS – Folheto 7

INTRODUÇÃO – No estudo do capítulo anterior, Gênesis 12, no contexto do ciclo de Abraão, iniciamos com a figura de Abrão – Abraão (este termo é para mostrar que não são duas pessoas diferentes, mas a mesma. A partir de Gênesis 17 ficará somente Abraão, assim como Deus fez com Sarai – Sara, Jacó-Israel, Oséas-Josué, Simão-Pedro e Saulo – Paulo).

No folheto anterior, nº 6, Abrão–Abraão é uma figura de singular importância no primeiro livro do Pentateuco, o Gênesis. A ele é relacionado todo o povo de Israel, chamado de “Povo da Aliança”. As histórias de Abrão-Abraão iniciamos no capítulo 12 de Gênesis, prosseguindo até o capítulo 25, chamado ciclo de Abrão-Abraão.

Abrão-Abraão é o Patriarca, ou seja, “pai de um grupo”. Este grupo pode ser o pai de toda uma nação. No Gênesis, encontramos os Patriarcas isto é, os pais de Israel: Abraão, Isaac e Jacó, com seus doze filhos. A ele é atribuída a decisão de voltar-se em direção a um único Deus, deixando os vários deuses da antiguidade e da antiga Mesopotâmia, atual Iraque. Ele deixa seu pai, sua família e sua terra para ser pai, constituir uma grande família a ter terra. Segundo a Escritura, ele é quem primeiro acreditou no Deus que depois de Israel, veio dizer que é o único.

É significativo observar que Abrão-Abraão, no texto de Gênesis, seguiu a Deus, fez com Ele Aliança e aceitou uma promessa. No início da história de Abrão-Abraão, podemos ver seu chamado. Ele

é vocacionado, isto é, chamado por Deus para algo especial. Abrão-Abraão é o primeiro que acreditou.

Estudo do Capítulo 13,1-18 (leia o texto)

Gênesis 13 tem somente 18 versículos e narra a continuação da peregrinação de Abrão-Abraão, o patriarca chamado por Deus para dar origem ao povo de Israel. E seria através da nação de Israel que o próprio Deus traria, depois de séculos, Jesus Cristo, com a missão de tornar-se o único mediador entre Deus e os homens. E é através de Jesus que o ser humano pode novamente ter comunhão com Deus.

Os versículos 1-4, mostram-nos Abrão-Abraão invocando o nome do Senhor. Ele é um homem de profunda oração, ou seja, profunda comunhão com Deus na oração e no reconhecimento do poder de Deus na vida dele.

Nos versículos 5-7, a narrativa continua. Com o fruto da bênção de Deus, Abrão-Abraão e Ló tinham muitos animais e bens. Mas o crescimento, às vezes, pode vir acompanhado de problemas. São as crises do desenvolvimento. Os pastores que cuidavam dos rebanhos de ambos começaram a brigar, porque não havia água e pastagem suficiente na região para abrigar a quantidade de gado que possuíam. Tio e sobrinho não podiam habitar juntos, pois eram muitos os seus bens. Nesse tempo, os cananeus, e os fariseus habitavam essa terra.

Nesse ponto da história, encontramos dois homens ricos e tementes a Deus, em grande dificuldade, com um problema para resolver, que deveria ter sido evitado. Por causa da contenda, eles passaram a ser mau exemplo para os que não temiam a Deus, para os que habitavam naquela terra. Os pagãos poderiam dizer: “Eles não têm condição de viver juntos. Saíram daqui para o Egito e agora voltaram brigando, apesar de terem levantado um altar ao Deus vivo e verdadeiro”. Por causa do mau testemunho, os habitantes daquela terra não se impressionavam mais com Abrão-Abraão.

Ele havia levantado um altar ao Deus vivo, mas, logo em seguida, começou a enfrentar problemas de relacionamento. A viagem ao Egito lhe rendeu muito dinheiro, mas também algumas dores de cabeça. Basta dizer que, além das riquezas, ele trouxe uma escrava chamada Agar, sobre quem falarei mais adiante.

A riqueza veio acompanhada de tamanha dificuldade que Abrão-Abraão e Ló estavam sendo obrigados a seguir cada um para o seu lado. As contendas entre os pastores precisavam terminar para não escandalizar os habitantes de Canaã, mas antes de tudo para não continuar ofendendo ao próprio Deus, cujo nome invocaram.

Nos versículos 8-9, vemos que, para evitar contendas que atrapalhassem ainda mais o testemunho, o próprio Abrão-Abraão sugeriu uma divisão territorial, procurando resolver a questão com sabedoria.

Os sinais de caráter de Abrão-Abraão ficam claros quando ele ofereceu para seu sobrinho a oportunidade de escolha. O patriarca disse que Ló poderia escolher qualquer lado, e ele ficaria com o que fosse rejeitado. Esquerda ou direita, qualquer um em que Ló escolhesse, para Abrão-Abraão estaria bem.

Nos versículos 10-13, vemos que Ló tentou ser esperto, aproveitando-se da generosidade de Abrão-Abraão. Depois de levantar os olhos para examinar a terra, fez sua escolha. Escolheu toda a campina do Jordão. Ló se apressou muito, e parece que não fez boa escolha. Ele olhou só para os pastos verdes da campina do Jordão. Mas o texto diz que ele foi armando suas tendas e cada vez se aproximava mais de Sodoma. Pouco a pouco foi chegando perto daquela cidade pecadora.

Ló não se importou muito. Ele estava tão interessado na sua fonte de lucro que não deu devida atenção ao aspecto espiritual de sua decisão. Ló ignorou os perigos morais a que ele e sua família estariam expostos. Provavelmente, os negócios eram sua prioridade, e não demorou muito para que todos estivessem morando na cidade de Sodoma. Essa foi uma infeliz decisão.

Quando priorizamos os bens materiais, e não nossa relação com Deus, colhemos resultados desastrosos.

No versículo 14, vemos novamente o Senhor se dirigindo a Abrão-Abraão. Esta era a terra que Deus oferecia a Abrão-Abraão, e, a partir desse momento, os limites da terra prometida foram sendo demarcados. Abrão-Abraão estava diante da terra que Deus lhe havia prometido. Aquela terra era real, mas, ao mesmo tempo apenas uma sombra da verdadeira pátria de Abrão-Abraão. Quando lemos Hebreus 11,10, vemos que a cidade dele, assim como a nossa, é outra: Porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e o edificador.

Nenhum lugar neste mundo pode ser comparado à cidade celestial e, por isso, suspiramos por ela. É a pátria realmente amada, onde não haverá mais dor, choro ou lágrimas. Nós almejamos estar na presença de Deus.

Nos versículos 15-16, Deus continuou falando a Abrão-Abraão e lhe fez uma promessa. Que promessa maravilhosa! E isso realmente aconteceu, através dos israelitas, dos ismaelitas, futuros descendentes de Abrão-Abraão. Deus é maravilhoso em suas promessas, você não acha?

No versículo 17, mais uma vez vimos a confiança da promessa feita em Gênesis 12,1-7;13,15. Por quatro vezes, Deus prometeu dar posse de Canaã a Abrão-Abraão.

No versículo 18, vemos que Abrão-Abraão edificou ali um altar para adorar o Senhor, assim como fez em todas as outras três vezes em que o senhor confirmou a posse da terra. (12,7;12,8;13,4). Por onde passava ele erigia um altar, deixando, assim, o seu testemunho.

Abrão-Abraão levantou um altar ao Senhor em um lugar maravilhoso para se ter comunhão com Deus. Era o lugar para onde Deus o havia dirigido e seu significado era “riqueza”, enquanto em hebraico quer dizer “comunhão”. Foi nos carvalhais de Manré que o grande Patriarca habitou e, depois de muitas outras experiências com o Senhor, foi enterrado. (Gn 25,9)

Abrão-Abraão, o pai da fé, cometeu várias falhas na sua vida, mostrando que também era humano. Apesar disso, Deus o amava e a própria Bíblia,a Palavra de Deus, o chamou de “amigo de Deus” (2Crônicas 20,7; Isaias 41,8; Tiago 2,23).

Entre as suas falhas mais sérias está a de ter descido ao Egito em desobediência a Deus. Ele devia ter ficado na terra onde o Senhor o havia colocado e, pela fé, tentado superar os obstáculos de conseguir o suprimento necessário para sobreviver.

Nessa altura de Gênesis 13, precisamos considerar as questões das posses. A riqueza não é um mal em si, mas também não é um bem. Ela é neutra. Pode se tornar um mal ou um bem, dependendo do uso que fizermos dela. A diferença está no homem que a possui. A riqueza, provavelmente, não foi um problema para Abrão-Abraão, mas suscitou sérias dificuldades porque, como vimos, surgiram contendas entre seus pastores e os pastores de Ló. Aqui a atitude de discernimento, o bom senso e a generosidade de Abrão-Abraão também merecem destaque. Ele deixou Ló escolher a melhor terra para o desenvolvimento de seu patrimônio.

Abrão-Abraão é, de fato, um exemplo. As experiências negativas e positivas podemos olhar para ele, e ver que, em resumo, sua vida de confiança em Deus é um desafio para todos nós, porque o justo viverá pela fé (Hebreus 2,4).

Exercício

1. Qual o motivo da separação entre Abrão-Abraão e Ló? (tio e sobrinho)

2. No tempo de Abrão-Abraão e Ló, que tipo de povos habitavam a terra deles?

3. Na viagem ao Egito, além das riquezas, quem mais Abrão-Abraão trouxe com ele?

4. Qual foi a região que Ló escolheu?

5. O que acontece conosco quando só olhamos os bens materiais e esquecemos os bens espirituais?

6. Durante o capítulo 13 de Gênesis vimos, várias vezes Abrão-Abraão erguendo altares para adoração e a comunhão com Deus. E hoje, que tipo de altares devemos erguer para Deus e por quê?

7. Quais as passagens bíblicas em que Deus chamou Abrão-Abraão de “amigo de Deus” ?

8. De acordo com Gênesis 13, qual o significado judaico-cristão das posses, riquezas?

- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DE APROFUNDAMENTO
- Bíblia de Jerusalém
- Storniolo, Ivo – Balancin E., Como ler o Livro do Gênesis, São Paulo: Paulus 1991
- Bergant, D. – Karris.R, The Collegeville Bible Commentary.Minnesota :EUA - 1989
- Deisseler, Alfons., O anúncio do Antigo Testamento, São Paulo: Paulus 1984
- Ravasi, Gianfranco., A narrativa do Céu – As histórias, as ideias e os personagens do Antigo Testamento, São Paulo: Paulinas 1999
- Bright, John., História de Israel, São Paulo: Paulus 2000
- Pierre, Grelet., Homme qui es tu ? Les onze premieres chapitres de la Génèse, Paris, Cerf 1973
- Drolet, Gilles., Compredre l’Ancien Testament, Canada 2006
- São Geronimo., Antigo Testamento, São Paulo: Paulus 2011
- Anotações do Pe. Neto


ELABORAÇÃO: Pe. Raimundo Nonato de Oliveira Neto
Pároco da Paróquia de São Vicente de Paulo e Especialista em Teologia Bíblica.

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...Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.

Este é o primeiro e grande mandamento.

E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo...

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