Paróquia de São Vicente de Paulo

Curso Bíblico: Gênesis – 8ª Semana

 

PARÓQUIA DE SÃO VICENTE DE PAULO
3ª URGÊNCIA DA AÇÃO EVANGELIZADORA
IGREJA, LUGAR DE ANIMAÇÃO BÍBLICA E VIDA PASTORAL
ESTUDO BÍBLICO CAPÍTULO POR CAPÍTULO

Objetivo – Fazer com que as nossas comunidades leiam, conheçam e ponham em prática a palavra de Deus.

GÊNESIS – FOLHETO 8

INTRODUÇÃO – O capítulo que vamos estudar é de Gênesis 14,1-24. De acordo com os biblistas, Gn 14 é um dos capítulos mais difíceis do Gênesis. É muito diferente do resto das narrativas patriarcais. Abrão é descrito não como nômade pacífico, mas como comandante de forças envolvidas em guerra. Neste capítulo, vamos observar que Javé prometera uma terra a Abrão. Na campanha contra os quatro reis, Abrão é forçado a percorrer a Palestina de norte a sul e de leste a oeste, conforme lhe ordenara Javé (13,7). Essa é a terra que Javé reserva para o seu povo, e que será conquistada no tempo de Davi. O texto, fazendo de Abrão um guerreiro, quer salientar que a terra prometida é dom de Deus, o qual não dispensa a participação do homem: o povo terá que lutar para conquistá-la. Deus concede o seu dom, mas o homem só recebe quando se esforça para conquistá-lo.

Gênesis 14,1-24 (leia o texto) Abrão guerreia e encontra Melquisedeque.

O texto de Gênesis 14,1-24 possui uma divisão natural:

Parte 1 – Relato e registro de guerra (V. 1,11)

Parte 2 – A prisão de Ló e sua libertação por Abrão (v. 12-17)

Parte 3 – O encontro de Abrão com Melquisedeque, o primeiro sacerdote (v.18-24)

Na parte 1, temos o relato da primeira guerra registrada na história bíblica. É um confronto de quatro reis contra cinco, em um local conhecido como Vale de Sidim, que é o mar Salgado. Ele também é chamado de Mar Morto, ou Mar de Arabá, conforme os versículos 3 e 10.

Nos versículos 1 e 2, encontramos a citação das principais passagens desse conflito: Amrafel, Arioque, Codorlaomer, Tadal, Bara, Bersa, Senabe, Semeber e Bela.

Este é um relato interessante. Os quatro primeiros reis se ajuntaram para derrotar os reis de Sodoma e Gomorra e de outras três nações amigas. Os reis dessas cinco nações foram derrotados e levados cativos.

Embora alguns críticos rejeitem esses relatos bíblicos, a arqueologia tem encontrado monumentos, assim como inscrições com os nomes dessas nações. Elas realmente fazem parte da história. Sabe-se hoje que Elão é parte do Irã moderno; que dois outros reinos provavelmente são da região da Turquia e ainda um deles é da região da Babilônia, o país que hoje conhecemos como Iraque. As pesquisas arqueológicas são importantes porque, através de seus achados, o texto bíblico é confirmado. Assim, de acordo com a Bíblia, temos aqui a primeira guerra da humanidade.

A vitória foi obtida pela confederação dos quatro reis saqueadores que mantiveram os cinco reis derrotados servindo-lhes pelo espaço de 12 anos. Essa servidão é do tipo vassalagem, isto é, os reinos derrotados tinham a obrigação de pagar pesados tributos aos reinos vencedores. E, com isso, todo o povo sofria bastante, porque a carga de impostos era sempre muito alta.

Os versículos de 5 a 7 dizem que o grupo de quatro reis ainda atacou e subjugou outras nações. Mas os versículos de 8 a 10 nos falam de um levante contra esse domínio violento. A revolta era de se esperar. Depois de 12 anos de domínio e de pesadas taxas, houve uma reação contra aquela situação humilhante. A mesma coisa pode acontecer em nossa vida espiritual. Quando não nos preparamos bem para as batalhas, corremos o risco de ser derrotados de uma maneira ainda mais contundente. E foi exatamente isso o que aconteceu com os cinco reis subjugados. Ao enfrentar o inimigo poderoso, eles foram novamente derrotados e tiveram que fugir para o vale de Sidim. No caminho da fuga,muitos morreram, caindo nos poços de betume daquela região.

Mais triste ainda é o relato dos versículos 11 e 12. Ló encontrava-se em uma situação delicada. Por ter escolhido as campinas verdejantes do Jordão, foi se aproximando cada vez mais de Sodoma e Gomorra e depois passou a habitar naquele lugar. Então, além de sofrer influência da frouxidão espiritual daquele povo, que era pecador diante do Senhor, ao envolver-se com a cidade pecadora, foi apenado com as consequências desse conflito.

Podemos fazer conjecturas, dizendo que a guerra se deu por motivos comerciais. No local, havia muitos poços de betume que, em palavras de hoje,

significa muito petróleo. Mas será que naquele tempo já havia procura por esse bem tão precioso, como acontece em nossos dias? Com certeza, não com a sofreguidão atual, mas o betume era usado na calefação das embarcações e certamente em outros tipos de construção que necessitavam de vedação completa. Devemos lembrar que Moisés foi colocado no rio Nilo em um cestinho calafetado com betume. Então, o produto era valioso e a motivação da guerra pode ter sido comercial. Ló acabou sendo envolvido porque, sendo muito rico chamou a atenção daqueles reis gananciosos.

Na segunda parte do Capítulo (14,12-17), verificamos a participação de Abrão em toda essa situação. O Patriarca, com certeza, envolveu-se no conflito por causa de seu sobrinho. Vimos na primeira parte (v.1,11) que os quatro reis orientais levaram presos os reis de Sodoma e de Gomorra, e que Ló também foi levado cativo. Mas como Abrão ficou sabendo desses acontecimentos? O versículo 13 nos dá a resposta.

Abrão, que demonstrava uma fé crescente no Senhor, intrometeu-se numa guerra arriscada que diretamente não era sua, porque queria a libertação de Ló. Mais uma vez, ele demonstrou cuidado por esse sobrinho que perdera o pai e, provavelmente, havia ficado sob sua responsabilidade. Ele ainda mantinha relacionamento com os antigos moradores da terra e, assim, tinha companheiros com quem podia contar nessas horas de incertezas. O versículo 14 nos relata que sua casa dispunha de muitos homens preparados para uma situação de emergência. Pelo número de servos que Abrão possuía, era certo que realmente era rico. Naturalmente, Abrão deveria possuir mais de que aqueles 318 homens (v.14) porque tal número diz respeito apenas aos que estavam preparados para entrar em uma guerra e lutar.

O versículo 15 mostra-nos que, além de ser rico, Abrão era inteligente. Ele elaborou uma estratégia para libertar seu sobrinho Ló. Ele perseguiu seus captores até o norte de Damasco, com uma estratégia militar muito boa e, assim, conquistou vitória surpreendente. O inimigo correu, deixando atrás de sí o povo que havia sido capturado.

De acordo com os versículos 16 e 17, Abrão conseguiu resgatar tudo o que havia sido perdido.

Aqueles reis impiedosos, quando enfrentaram Abrão e seus homens, foram derrotados e fugiram. Esta ação do patriarca impressionou muito o rei de Sodoma e

ir ao encontro de Abrão no vale de Savé, certamente era para agradecer-lhe e lhe oferecer gratificações.

Quando contamos com a presença de Deus, podemos ousar e ser bênção para outras pessoas, libertando-as de seus problemas. Haverá gratidão da parte delas, mas o importante é louvarmos a Deus, que nos possibilitou sermos usados por Ele.

Entrando na terceira parte do Gênesis (14,18-24), vemos essa atitude expressa no encontro de Abrão com Melquisedeque. Que relato interessante! Mas quem era Melquisedeque? E como chegou a conhecer o Deus Altíssimo? Deus era realmente o único para ele? A Bíblia diz que Melquisedeque era rei de Salém(Jerusalém), mas ao mesmo tempo, sacerdote do Deus Altíssimo. Além de Gênesis 14,18, temos uma referência a sua pessoa no salmo 110,4: “Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque”. E também nos capítulos 5 a 7 da Carta aos Hebreus.

Melquisedeque é mencionado 10 vezes nas Sagradas Escrituras, mas nada sabemos sobre sua origem, e nem sua genealogia é mencionada. E essa ausência é realmente estranha porque temos visto que Gênesis é o livro das genealogias, o livro das famílias–nações ou gerações. Provavelmente, ele apareceu assim para se tornar um tipo de pessoa de Cristo, que também não teve princípio nem terá fim. A Carta aos Hebreus 7,1-13 diz que este sacerdote era um tipo de Cristo que, naturalmente, fez o serviço de um sacerdote como aqueles de posterior ordem de Aarão, da ordem dos levitas.

Cristo, sendo sacerdote, pertencia à ordem sacerdotal de Melquisedeque, porque assim como ele, não tinham fim os seus dias. O sacerdócio de Aarão era só para o povo de Israel, porém o de Melquisedeque era um tipo de sacerdócio universal de Cristo por todas as nações.

O texto de Gênesis 14,18-20 diz que Melquisedeque ofereceu pão e vinho a Abrão. Jesus, quando instituiu a ceia eucarística, ofereceu pão e vinho aos discípulos e a todos os cristãos de todos os tempos, como símbolo do seu corpo partido na cruz por nós e do seu sangue derramado para a remissão dos nossos pecados.

Nos versículos de 21 a 24, vemos o testemunho de Abrão diante do rei de Sodoma. Abrão estava disposto a mostrar sua fé em Deus e não se comprometeu com aquilo que um rei pagão e infiel poderia lhe dar.

Ele não queria um pagamento humano, mas receber de Deus a recompensa por ter defendido aqueles que haviam sido levados cativos injustamente. E, além disso, ele recebeu a bênção de Deus por meio de Melquisedeque, o sacerdote do Deus Altíssimo.

Aquele oferecimento de Bera, rei de Sodoma, foi, indiscutivelmente, uma tentação para o patriarca, mas felizmente, Abrão já estava preparado por causa do encontro, inspirador que tivera com o sacerdote de Deus. Abrão passou no teste e saiu de cabeça erguida diante do rei de Sodoma, após ter rejeitado seus oferecimentos.

Deus prepara seus servos para enfrentar as tentações. Devemos nos sentir preparados para quando formos tentados, dizendo sim à comunhão com Deus e não ao apelo que o mundo faz.

Abrão tinha a seu lado o Deus que criou os céus e a terra e, demonstrando novamente sua generosidade e interesse pelos outros, disse que os rapazes que o acompanharam deveriam ser pagos. Era muito justo que Abrão intercedesse pelos que com ele lutaram na defesa daqueles reis. Mas, para si mesmo, não queria absolutamente nada. Ele confiava em Deus.

Exercício

1 Cite os nomes dos reis que estavam em conflito.

2. Qual era o local desse conflito?

3. Qual a divisão do Gn 14?

4. Qual era a situação de Ló, sobrinho de Abrão?

5. O que significa hoje a palavra betume?

6. Em que outras ocasiões bíblicas foi usado o betume ?

7. O que acontece quando contamos com a vontade de Deus?

8. Quem era Melquisedeque?

9.Qual é o outro nome para Salém?

10. Que outras passagens bíblicas encontramos sobre Melquisedeque?

11. Quantas vezes Melquisedeque é mencionado na Bíblia?

12. Fazendo um paralelo entre Gn 14,20 e Hebreus 7,14, o que você descobre? É algo praticado ainda hoje por católicos e evangélicos?

●REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DE APROFUNDAMENTO

● Bíblia de Jerusalém

● Storniolo, Ivo – Balancin E., Como ler o Livro do Gênesis, São Paulo: Paulus 1991

● Bergant, D. – Karris.R, The Collegeville Bible Commentary.Minnesota :EUA - 1989

● Deisseler, Alfons., O anúncio do Antigo Testamento, São Paulo: Paulus 1984

● Ravasi, Gianfranco., A narrativa do Céu – As histórias, as ideias e os personagens do Antigo Testamento, São Paulo: Paulinas 1999

● Bright, John., História de Israel, São Paulo: Paulus 2000

● Pierre, Grelet., Homme qui es tu ? Les onze premiers chapitres de la Génèse, Paris, Cerf 1973

● Drolet, Gilles., Compredre l’Ancien Testament, Canada 2006

● São Geronimo., Antigo Testamento, São Paulo: Paulus 2011

● Anotações do Pe. Neto

ELABORAÇÃO – Pe. Raimundo Nonato de Oliveira Neto – Pároco da Paróquia de São Vicente de Paulo e Especialista em Teologia Bíblica.

 

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...Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.

Este é o primeiro e grande mandamento.

E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo...

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