Paróquia de São Vicente de Paulo

Curso Bíblico: Gênesis – 9ª Semana

 

PARÓQUIA DE SÃO VICENTE DE PAULO
3ª URGÊNCIA DA AÇÃO EVANGELIZADORA
IGREJA, LUGAR DE ANIMAÇÃO BÍBLICA E VIDA PASTORAL
ESTUDO BÍBLICO CAPÍTULO POR CAPÍTULO

Objetivo – Fazer com que as nossas comunidades leiam, conheçam e ponham em prática a palavra de Deus.

Gênesis – Folheto 9

INTRODUÇÃO – Nos folhetos anteriores, nós temos estudado que o universalismo de Gn 1-11 é substituído pelo foco nas tradições referentes a Abraão, Sara, Agar, Ismael, Isaac, pastores nômades honrados como ancestrais de povos que se formaram no sul da Palestina. Mas o pano de fundo destas narrativas são as relações entre as tribos, principalmente entre Judá (sul) e Israel (norte), antes, durante e depois do Exílio.

No contexto do ciclo de Abraão, capítulo 12ss, encontra-se o capítulo 15,1-20, que apresenta Deus fazendo a primeira aliança com Abraão. São mencionados animais e ritos estranhos para nós, mas comuns naquele tempo. Primeiro, Deus promete uma recompensa a Abraão pelo fato de ele seguir este Deus. Abrão lembra que está sem filho e, deste jeito, não poderá ter uma paternidade, nem herdar a terra.

Acontece então uma ação simbólica curiosa e um desfecho interessante: quem assume o ônus da aliança de Deus. Ele passa entre os animais partidos e anuncia o futuro dos descendentes de Abrão. No meio de todas dificuldades que acontecerão, eles serão, no final, uma grande nação. Nesta aliança é muito evidente a história futura de Abraão: o Povo de Israel. Este povo estará sempre envolvido em dificuldades, mas será o Povo de Deus.

É importante que os nossos estudantes e leitores saibam que o mundo lembrado no capítulo 15, não é muito grande. O texto fala do Egito até o Eufrates. É uma parte do Oriente Médio. Hoje, sabemos que o mundo é bem maior... mas, quando o texto foi escrito, aquele era o mundo que eles conheciam.

Gênesis 15, 1-21 (leia texto) – a fé de Abrão e a renovação da aliança.

Após termos lido a introdução, vamos agora apresentar como se divide o presente capítulo:

1ª Parte – (vv 1-11) – Deus anima Abrão e lhe promete um filho

2ª Parte – (vv-12, 21) – Deus reafirma sua aliança com Abrão.

Abrão foi constantemente tentado na área de segurança, porque Deus o tinha chamado para andar com Ele, seu rumo certo aos olhos humanos. A partir deste capítulo (Gn 15), os testes começaram a se concentrar em uma outra área de vida do patriarca: a posteridade, o futuro, a herança deixada para as próximas gerações. Abrão é testado, também, na área da descendência, que era muito valorizada na sociedade daqueles tempos.

Nos versículos de 1-6, vale ressaltar duas palavras de Deus dirigidas a Abrão: “Não temas”. Por que será que Abrão estava abatido e necessitava desse encorajamento da parte de Deus? Ele não tinha acabado de ganhar uma grande batalha? Não tinha sido abençoado por Melquisedec? Mas não é verdade que às vezes ficamos abatidos depois de vitórias? Lembra-se de Elias em 1Rs 19,4? Depois de derrotar os profetas de Baal, fugiu de Jezabel e pediu a morte a Deus. Estava em profunda depressão.

O mesmo pode ter acontecido com Abrão. Depois de obter conquistas, poderia estar temeroso e triste, provavelmente porque via que, na sua caminhada com Deus, ainda lhe faltava um filho. Faltava a Abrão um herdeiro para que sua descendência pudesse receber a terra que lhe havia sido prometida. Não ter filhos, naqueles dias, também era visto como um sinal de castigo divino.

Nós precisamos aprender a ser sempre sinceros e transparentes diante de Deus, expressando nossos sentimentos e dialogando com Ele. Deus lhe concede essa liberdade. O patriarca abriu seu coração, dizendo que, na sua percepção, via que seu descendente seria Eliezer, que em hebraico quer dizer “meu Deus é seguro”, o damasceno. Mas as palavras de Deus o desafiaram e o encorajaram. Disse a Abrão que Ele era seu escudo e seu protetor, e que seu galardão seria grande.

O que Deus estava dizendo a Abrão, e a nós também, é que a confiança deve ser posta Nele, na Sua promessa, na Sua palavra. O objetivo das palavras do Senhor, vindas por meio de visão a Abrão, não era

promover um impacto visual, como muitos têm procurado hoje em dia. O objetivo era, claramente, destacar a confiança, a crença na Palavra divina. Por isso mesmo, Deus levou Abrão para fora da tenda e pediu que contasse as estrelas do céu. Aquela mesma quantidade impossível de ser contada seria a descendência dele.

Deus confirmou sua promessa e Abrão creu. E isso lhe foi imputado para justiça, fato que o Novo Testamento destaca através de Paulo (Romanos 4,22-25; Gálatas 3,6), do autor da Carta aos Hebreus (Hb 11,11-12) e de Tiago (Tg 2,23). A justiça que Deus imputou a Abrão dependeu totalmente da fé e não das obras da lei, uma vez que a lei ainda não tinha sido dada.

Por isso, Abrão é um modelo para quem deseja ser salvo. É necessário crer. A salvação é exclusivamente pela fé em Cristo e na sua prática evangelizadora. Deus disse a Abrão que sua descendência seria como as estrelas do céu, que eram tantas que não podiam ser contadas. Abrão não tinha nenhum merecimento para receber a bênção prometida, mas creu que Deus podia concedê-la.

O texto prossegue, e nos versículos 7-11, temos o restante dessa narrativa. Deus reafirmou que tinha tirado Abrão de Ur e lhe daria aquela terra por herança. O patriarca queria saber como isso aconteceria. Deus, então, lhe pediu que tomasse uma novilha, uma cabra, um cordeiro, cada um com três anos, uma rola, e um pombinho. Os animais foram partidos ao meio e postos em ordem, em metades, uma em frente às outras, com exceção das aves. Mas o que significa isso? Parece estranho, não é verdade?

Naquele tempo, era a maneira certa de assinar um contrato, de fazer um acordo. Muitos anos depois, o profeta Jeremias faz referências a este tipo de acordo(cf. Jeremias 34, 18). A cerimônia acontecia quando uma aliança era firmada. Os animais sacrificados eram partidos ao meio e os que faziam aliança passavam por entre as duas metades pronunciando um juramento ou uma fórmula, amaldiçoando a si próprios, caso não cumprissem sua parte. Os animais partidos ao meio eram um símbolo do que aconteceria àquele que quebrasse a aliança que estava sendo firmada. Então, Deus reafirmou sua palavra preparando uma aliança com Abrão. E o quadro termina, não com uma cena bonita, mas com um retrato da vida

cotidiana: as aves de rapina desciam sobre aqueles mortos e Abrão as exortava.

Nos versículos 12-16, lemos que a palavra de Deus foi dada a Abrão, confirmando a promessa e incluindo até detalhes sobre a descendência prometida.Mesmo caindo em profundo sono, e tendo um grande temor, certamente pela presença marcante de Deus, Abrão ouviu uma voz proferindo detalhes sobre a descendência tão desejada. Ela seria escrava, mas, depois de 400 anos, sairia livre, com muitas riquezas, e voltaria para a terra prometida.Esse prenúncio da escravidão teve duplo significado. Em primeiro lugar, podemos perceber que se tratava de um plano deliberado, com sucesso garantido no final, após a formação de uma nação. Em segundo lugar, percebemos a paciência de Deus para com os habitantes de Canaã. O texto diz claramente que o tempo de espera ocorreria porque ainda não estava cheia “a medida da iniquidade dos amorreus”. “Amorreus eram povos inimigos do povo de Israel.

Em referência à escravidão do povo judeu, no Egito, por 400 anos, vale a pena destacar que esta não foi a única vez que ele saiu de sua terra, que ficou longe da terra da promessa. No século 6º a.C, depois, por ter pecado e se desviado do Senhor, mesmo tendo sido advertido pelos profetas, o povo judeu disciplinado pelo próprio Senhor, foi levado cativo para a Babilônia. Depois de aproximadamente, 50 anos de cativeiro, os judeus retornariam com o Ciro, rei da Pérsia, para Jerusalém. Mesmo depois da encarnação do sacrifício da cruz e da sua ressurreição e ascensão de Cristo, novamente o povo foi tirado de sua terra, e disperso, quando havia a invasão dos romanos, por volta do ano 70 d.C. Só 20 séculos depois, em 1948, é que Israel começou a voltar à Palestina, em cumprimento às antigas profecias.

Mas o texto prossegue, e lemos nos versículos finais 17-21, a concretização da aliança divina com Abrão. O patriarca estava num profundo sono. O ambiente era de temor diante da marcante presença de Deus. A voz de Deus confirmara a Abrão que haveria descendência e ainda lhe revelara o futuro dela. Mas os detalhes para a concretização da aliança deveriam ser completados. Porém, Abrão estava determinado. Mas como Abrão poderia assinar o contrato, se estava dormindo? Na verdade, não era Abrão que tinha de assinar ou estabelecer o contrato, mas somente Deus.

Quem estava fazendo o juramento era Deus. Tudo dependia e sempre dependeu Dele. A aliança foi firmada por Deus e seria cumprida, porque Ele não é homem para mentir.

Deus foi o elemento ativo na aliança. Além de oferecer sua promessa, estava empenhando sua palavra. Abrão podia dormir, acordar, porque era o elemento passivo naquela aliança e não tinha o que oferecer a Deus. O importante, neste caso, era a fé que depositava na promessa de Deus. Abrão creu, pois já experimentava que Deus sempre cumpre o que promete. O fogareiro fumegante e a tocha acesa que passou entre as partes dos animais sacrificados representavam o próprio Deus se colocando sob maldição se não cumprisse a promessa. A presença de Deus, simbolizada pelo fogo, era a garantia da qual Abrão precisava.

O versículo 18 resume todo o evento, porque nele a palavra de Deus foi afiançada e todo o programa da origem da nação estava sendo confirmado. Mas a validação da aliança veio depois, em Gênesis 17,9-14, quando a circuncisão foi instruída como sinal. Abrão precisava apenas crer na Palavra de Deus. Imagine se ele tivesse dito que assumiria compromisso de, por exemplo, rezar uma vez por dia ou duas, ou três e depois viesse a fraquejar. Se isso acontecesse, o contrato seria quebrado e Abrão perderia tudo. Mas Deus nunca colocaria essa pressão sobre o patriarca. O assunto era muito sério e do interesse de Deus, porque ali estava em jogo a própria salvação da humanidade. Ele não lançaria esta responsabilidade sobre Abrão, porque este era falho, como todo homem. Deus não poderia depender dele, mas só de si mesmo. Ainda bem que a nossa salvação não estava nas mãos de Abrão, mas nas de Deus. Não dependemos de nós mesmos, mas de Cristo.

Podemos confiar nas promessas e na Palavra do Senhor, que é fiel. Mesmo quando temos dúvidas e tememos, Ele está pronto a nos socorrer e nos animar.

Exercício

1. Na introdução a esse folheto (9), diz-se que o universalismo de Gênesis 1-11 é substituído pelo foco nas tradições referentes a Abrão, Sara, Agar, Ismael e Isaac. Quem são essas pessoas?

2. Ainda na introdução, o que se encontra no Gn 15,1-20?

3. Como está dividido o capítulo 15?

4. Qual a origem e o significado da palavra “Eliezer” ?

5. Por que Abrão é modelo para quem deseja ser salvo?

6. No tempo de Abrão, como era feito um contrato, ou acordo?

7. Cite o nome do profeta e o texto onde ele faz referência a este tipo de acordo.

8. O povo judeu foi escravo no Egito por longos anos. Em que outras épocas esse povo novamente foi escravizado?

9. O que nos diz de importante o versículo 18?

10. De acordo com este folheto (9), faça um comentário sobre a promessa e a aliança.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DE APROFUNDAMENTO

● Bíblia de Jerusalém

● Storniolo, Ivo – Balancin E., Como ler o Livro do Gênesis, São Paulo: Paulus 1991

● Bergant, D. – Karris.R, The Collegeville Bible Commentary.Minnesota :EUA - 1989

●Deisseler, Alfons., O anúncio do Antigo Testamento, São Paulo: Paulus 1984

●Ravasi, Gianfranco., A narrativa do Céu – As histórias, as ideias e os personagens do Antigo Testamento, São Paulo: Paulinas 1999

●Bright, John., História de Israel, São Paulo: Paulus 2000

●Pierre, Grelet., Homme qui es tu ? Les onze premiers chapitres de la Génèse, Paris, Cerf 1973

●Drolet, Gilles., Compredre l’Ancien Testament, Canadá 2006

●São Geronimo., Antigo Testamento, São Paulo: Paulus 2011

●Anotações do Pe. Neto

ELABORAÇÃO – Pe. Raimundo Nonato de Oliveira Neto – Pároco da Paróquia de São Vicente de Paulo e Especialista em Teologia Bíblica pela UNION THEOLOGICAL SEMINARY, Nova York– E.U.A- 1993 e pelo CENTRO BÍBLICO VERBO DIVINO – São Paulo – 2007 -2008.

 

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...Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.

Este é o primeiro e grande mandamento.

E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo...

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