Paróquia de São Vicente de Paulo

Curso Bíblico: Gênesis – 10ª Semana

 

PARÓQUIA DE SÃO VICENTE DE PAULO
3ª URGÊNCIA DA AÇÃO EVANGELIZADORA
IGREJA, LUGAR DE ANIMAÇÃO BÍBLICA E VIDA PASTORAL
ESTUDO BÍBLICO CAPÍTULO POR CAPÍTULO

Objetivo – Fazer com que as nossas comunidades leiam, conheçam e ponham em prática a palavra de Deus.

Gênesis – Folheto 10

INTRODUÇÃO – Que maravilha, meus caros estudantes e leitores da Sagrada Escritura – A Bíblia Sagrada!

Na nossa caminhada de estudo Bíblico, através destes simples folhetos, acredito que vocês já tenham percebido a importância da Bíblia – Palavra de Deus na nossa vida. Ela é a carta de amor que Deus escreveu através dos hagiógrafos e enviou à humanidade. É um livro sempre por ler. É um livro que nunca acabou de dizer o que tem a dizer. No pensamento de São Leão Magno, grande santo e doutor da Igreja, ele diz em latim: Scriptura cum legente crescit – a escritura cresce com quem lê.

É com esse pensamento que introduzimos o estudo do Gênesis 16,1-16 – o nascimento de Ismael e a história de Agar.

De acordo com os biblistas, o nascimento de Ismael é um relato de tradição javista, com elemento de tradução sacerdotal que circula em torno de quatro pessoas: Abrão, Sarai, Agar e Ismael. Através desses personagens, o autor bíblico quer mostrar que a promessa a Abrão continua – promessa da terra, do amor de Deus à humanidade.

No capítulo que vamos estudar, o leitor poderá surpreender-se: um triângulo amoroso na Bíblia? Claro que não. Com este relato teológico, o autor se propõe explicar como surgiram as nações. Não se trata de dar aulas de moral nem de justificar a poligamia ou a exploração da mulher.

A relação entre Abrão, Sarai e Agar, a escrava de Sarai, é alheia à moral cristã. Naquele tempo, no antigo Oriente Médio, era costumeiro que os patriarcas tivessem filhos de várias esposas e de suas escravas,

formando assim uma grande família patriarcal. É fácil intuir que essas relações despertaram tensões e ciúme. Sarai rejeitou Agar quando esperava um filho de Abrão, pois seria de sua ama. Agar teve de fugir, mas um anjo de Deus lhe ordenou voltar, apesar de que não seria bem recebida, pois devia dar à luz seu filho Ismael, que seria pai das nações ismaelitas.

Gênesis 16,1-16 – (Leia o texto)

O surpreendente e, ao mesmo tempo, irônico na atitude de Abrão, é constatarmos que, depois de ter tido experiências maravilhosas com Deus, quando sua fé foi sendo aumentada e solidificada, vemos agora o Pai da fé cair diante da pressão dos problemas domésticos levantados por sua esposa Sarai: Abrão que, contra uma confederação de reis opressores e violentos, luta e vence, libertando o seu sobrinho Ló; o Abrão que não cedeu à tentação de ter grandes recompensas financeiras por causa dessa vitória; o Abrão ousado e transparente que dialogou com Deus, pedindo confirmação da promessa de uma grande descendência; esse mesmo Abrão agora é visto naufragando numa situação de relacionamentos enciumados e melindrados, que envolviam sua esposa e sua serva. Que situação! Que fragilidade!

Tudo isso serve para comprovar que nós, seres humanos, somos assim mesmo: às vezes, estamos em um momento maravilhoso de comunhão, de intimidade com o Senhor, e logo depois estamos caídos, frustrados, temerosos, cheios de dúvidas, fraquejando diante das tentações e pecando. Essa é a natureza do ser humano. Hoje, nos montes da glória de Deus, amanhã, nos vales profundos e sombrios das incertezas.

E, no meio das incertezas e dúvidas, despontou a proposta de Sarai, que fez Abrão desviar os olhos do Senhor e olhar para as possibilidades de soluções humanas mais simples e palpáveis. Ao invés de ficar aguardando com fé a solução divina, Abrão anteviu a possibilidade de uma solução mais simples.

O plano foi arquitetado por Sarai. Como tinha uma escrava egípcia que já estava com eles desde o tempo do Egito, ela propôs que,

através da sua serva, Abrão desse origem à sua descendência. Abrão aceitou a sugestão de sua esposa e possuiu Agar.

Ora, como a sugestão havia partido de sua própria esposa, Abrão não viu mal nenhum em admitir tal possibilidade. Naqueles dias, a esterilidade era considerada como a maior e mais terrível desgraça que poderia atingir a vida de uma mulher casada. Além de se entender que o casal sem filhos estava sob a maldição de Deus, a mulher sentia-se humilhada e desprezada pela sociedade.

O método sugerido por Sarai não era a solução divina. Ele era aceito naqueles dias, como aconteceu também na família de Jacó, que teve filhos com Zilfa e Bila, servas de suas esposas Lia e Raquel. Os filhos desses relacionamentos eram incluídos na família e tinham plenos direitos de herança.

Abrão deve ter raciocinado que, sendo essa uma maneira aceitável e até legítima de iniciar sua descendência, não teria problemas se confirmasse o plano. E assim foi feito. Coabitou com Agar e ela engravidou.

Porém, aconteceu algo que nem Sarai nem Abrão imaginaram. Agar, depois de engravidar, desprezou Sarai, humilhando-a pelo fato de não poder dar filhos a Abrão. Mesmo sendo a senhora, a patroa, não podia gerar os filhos que lhe dariam a descendência tão almejada e, assim, sentia-se cada vez mais humilhada. Você percebe em que situação complexa Abrão e Sarai se evolveram? E sabe por quê? Porque falharam e não tiveram paciência de aguardar o tempo de Deus. Esse é o requisito da fé! Esperar confiantemente, como nos diz o salmo 40,1: “Esperai confiantemente pelo Senhor, ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro”.

A narrativa continua e vemos Abrão lavando as mãos diante da reclamação de Sarai. Ele não assumiu a responsabilidade de tratar o constrangimento que Agar estava causando a sua esposa. Transferiu a responsabilidade. Falhou mais uma vez, como já fizera anteriormente, quando estavam no Egito, ao deixar Sarai com a responsabilidade de protegê-lo com uma mentira. Agora, ele passa adiante a responsabilidade de punir Agar.

E é lógico supormos que a decisão de Sarai, com certeza, não seria uma decisão equilibrada, pois era a parte ofendida na questão. E foi exatamente o que aconteceu. Sarai humilhou Agar, e ela fugiu.

Agar partiu em direção ao Egito, sua terra natal. Já havia caminhado alguns dias e estava próximo a Cades. Estava grávida e fugida com um filho no ventre que dava descendência a Abrão. São esses os resultados dos planos humanos. Mas, a graça de Deus nos alimenta. Deus não depende de nós e tem seus planos infalíveis!

Veremos agora os versículos 7 a 14. Nesses versículos, qual o significado da expressão “Anjo do Senhor”? Embora muitos estudiosos não aceitem tal posição, neste contexto, Anjo do Senhor, ou mensageiro, não nos parece um ser distinto de Deus, o próprio Senhor se apresentando e fazendo sentir sua presença de maneira sensível e concreta. Confira Gn 19,1; 31,11-13; Ex 3,2-4; 23,20-33; 32,34; Jz 2,1-5; 6,11-24).

Apesar das diferentes opiniões, o texto diz claramente que Agar foi amparada e socorrida pelo Senhor. Deus sempre está atento aos nossos sofrimentos e pronto a nos socorrer. Na sequência,

houve recomendação para Agar voltar e acertar seu relacionamento com Sarai e também uma promessa maravilhosa, que certamente encheu seu coração de júbilo. Por causa da semente de Abrão que nela estava, seu filho teria uma grande descendência que, também, como Deus prometera a Abrão, não poderia ser cortada. Seu nome seria Ismael, que significa “Deus ouve”, pois, como disse o anjo: “o Senhor te acudiu na tua aflição”.

Você consegue entender que, mesmo numa situação de falta de fé, desconfiança, dúvidas e atitudes totalmente humanas e carnais, quando Deus age, sempre produz um final surpreendente? Foi o que aconteceu! Mesmo injustiçada por Sarai, Agar teve o conforto do Senhor e uma promessa maravilhosa a respeito do filho que estava gerando.

A serva deveria voltar a sua senhora e, diante dela, se humilhar. Nessa atitude, está demonstrando o princípio de que não podemos desprezar o nosso próximo e nos rebelar contra as autoridades que

dirigem o povo em nome de Deus: os ministros ordenados. Nossa atitude deve ser de respeito, entregando-nos sempre aos cuidados do Senhor.

Agar, mesmo sendo egípcia e de outra religião, depois de servir Sarai e Abrão por 10 anos, aprendeu que o certo era invocar e adorar o nome do Senhor. Depois dessa experiência especial com o anjo do Senhor, o versículo 13 nos relata que ela adorou, invocando o nome do Senhor. Era uma escrava, mas, certamente, alguém temente a Deus. Convicta de que Deus lhe aparecera, chamou aquele lugar de “ Tu és Deus de vista” ou “Vi de fato a Deus”.

Vale a pena destacar, embora seja apenas para confirmar o que você já sabe, que os ismaelitas, essa descendência tão numerosa, que não seria possível ser contada, são os árabes dos dias atuais. É isso mesmo: a promessa se cumpriu integralmente, e os árabes convivem em muitos territórios fronteiriços aos israelenses e são detentores de uma conduta por vezes agressiva. A hostilidade entre Sarai e Agar foi transmitida aos seus descendentes.

O nome do poço onde o Anjo do Senhor a encontrou tem um significado especial: Beer-Laai-Roi, significa o “poço do vivente, meu observador”, dando a entender que Agar celebrava o cuidado constante do Senhor sobre sua vida e a de seu filho.

Os versículos finais desse capítulo 16,15-16 salientam a responsabilidade de Abrão em relação a Ismael, que ocorreu porque Agar, obedecendo ao anjo do Senhor, retornou ao lar de seus senhores.

Para aprofundar ainda mais esse capítulo de Gn 16, leia no Novo Testamento, Gálatas 4,22-29. Bons estudos.

Exercício

1. De acordo com a introdução desse folheto (10) que definição você daria a Bíblia?

2. Quantas e quais pessoas circulam pelo capítulo 16?

3. O que você diz a respeito da relação Abrão, Sarai e Agar?

4. O que significam as expressões:

a) Anjo do Senhor

b) Ismael

c) Poço de Agar – Beer –Laai -Roi

5. Ismael acabou sendo o antepassado de um grande povo: os ismaelitas. E quem são hoje os ismaelitas?

6. Se Ismael não é ainda o filho da promessa a Abrão, então, quem será esse filho da promessa? (veja Gn 21,1-7)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DE APROFUNDAMENTO

● Bíblia de Jerusalém

● Storniolo, Ivo – Balancin E., Como ler o Livro do Gênesis, São Paulo: Paulus 1991

● Bergant, D. – Karris.R, The Collegeville Bible Commentary.Minnesota :EUA - 1989

● Deisseler, Alfons., O anúncio do Antigo Testamento, São Paulo: Paulus 1984

● Ravasi, Gianfranco., A narrativa do Céu – As histórias, as ideias e os personagens do Antigo Testamento, São Paulo: Paulinas 1999

● Bright, John., História de Israel, São Paulo: Paulus 2000

● Pierre, Grelet., Homme qui es tu ? Les onze premiers chapitres de la Génèse, Paris, Cerf 1973

● Drolet, Gilles., Compredre l’Ancien Testament, Canadá 2006

● São Geronimo., Antigo Testamento, São Paulo: Paulus 2011

● Anotações do Pe. Neto

ELABORAÇÃO – Pe. Raimundo Nonato de Oliveira Neto – Pároco da Paróquia de São Vicente de Paulo e Especialista em Teologia Bíblica pela UNION THEOLOGICAL SEMINARY, Nova York– E.U.A- 1993 e pelo CENTRO BÍBLICO VERBO DIVINO – São Paulo – 2007 -2008.

 

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...Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.

Este é o primeiro e grande mandamento.

E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo...

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