Paróquia de São Vicente de Paulo

Curso Bíblico: Gênesis – 11ª Semana

 

PARÓQUIA DE SÃO VICENTE DE PAULO
3ª URGÊNCIA DA AÇÃO EVANGELIZADORA
IGREJA, LUGAR DE ANIMAÇÃO BÍBLICA E VIDA PASTORAL
ESTUDO BÍBLICO CAPÍTULO POR CAPÍTULO

Objetivo – Fazer com que as nossas comunidades leiam, conheçam e ponham em prática a palavra de Deus.

Gênesis – Folheto 11

INTRODUÇÃO – Meus caros estudantes leitores da Bíblia.Que bom, já estamos no capítulo 17 do Gênesis. Neste capítulo vamos ver: a segunda aliança, a mudança dos nomes, a circuncisão: sinal de pertença a YHWH (javé – senhor, em hebraico) e a um povo.

A aliança a que me refiro não é uma “nova aliança”, mas o relato da aliança de Deus com Abraão a partir de outra tradição escrita. É um relato mais complexo de que no capítulo 15.Notem que esta é uma informação importante. Os textos bíblicos são formados por diversas tradições. Isto indica que podem existir histórias diferentes para o mesmo fato. Ou que uma pessoa pode ser apresentada de modos diferentes, até contrastantes.

Na mudança de nomes, primeiro Deus afirma para Abraão que ele será pai de uma multidão de povos. Depois, muda o nome de Abraão. Ele se chama Abrão, que significa “pai”. Tem, nesse momento, o nome mudado para Abraão, que significa “grande pai”. No decorrer do estudo deste folheto, você terá uma explicação mais profunda da mudança de nome.

Com a circuncisão, o relato continua. Deus propõe um sinal para a aliança: a circuncisão, que já era um costume antigo, de outros povos. E continua a ser usado em muitas culturas. Neste relato, ela é o sinal da pertença ao Povo de Deus. A circuncisão é uma marca feita no próprio corpo. Trata-se de algo semelhante à operação de fimose.

Corta-se a pele que envolve a glande do pênis. O que é hoje uma medida sanitária e terapêutica, naquele tempo era um sinal religioso.

A circuncisão já existia antes do exílio, inclusive em outros povos. Era, porém, um rito de iniciação ao casamento e à vida da família (cf. Gn 34,14-15; Ex. 4,24-26; Lv. 12,3). As leis que obrigam a circuncisão em Israel, vocês poderão encontrar em Ex. 12,44 e Lv. 12,3.

O capítulo 17 de Gênesis é uma narrativa que, certamente, teve sua origem entre os deportados. Foi lá que a circuncisão se tornou importante, como sinal de distinção das comunidades cativas, em meio aos babilônios circuncisos, por um lado, e, por, outro, um sinal da pertença ao mesmo povo e ao próprio Deus.

Gn 17 é uma releitura de Gn 15, onde Deus também faz uma aliança com Abraão, mas sem se referir à circuncisão. Em Gn 17 amplia-se o significado da circuncisão, que passa a ser sinal da aliança entre YHWH e Israel /Abraão. A função da circuncisão em Gn 17 é equivalente à do arco-iris na aliança entre Deus e toda a humanidade /Noé (Gn. 9.12-17).

Ainda nesse capítulo, veremos Sarai/Sara, esposa de Abraão, que também tem seu nome mudado. E é anunciado um filho para ela, um filho de Abraão. A promessa de um filho e de uma descendência começa a se concretizar.

Espero que aproveitem este estudo, vendo em Abrão/Abraão o primeiro que acreditou e fez aliança com Deus.

Estudo do capítulo 17,1-27 (leia o texto)

Alguns estudiosos bíblicos consideram o capítulo 17 como o mais importante, senão de toda Bíblia, pelo menos do livro do Gênesis. Por quê? Porque, nele, temos Deus mudando o nome de Abrão, “o grande pai” para Abraão, “pai das multidões”. Deus também se revela a ele, com o nome de El-Shadai, que significa “Deus altíssimo”. Diz a Abraão que Ismael não seria o seu herdeiro, porque não era filho da promessa. O filho da promessa seria o da sua esposa legitima. Fala

também que a descendência de Abraão seria numerosa e que a aliança firmada entre os dois seria perpétua.

Portanto, neste capítulo, vemos Deus reafirmando sua palavra a Abrão, palavra agora completa, porque no capítulo 15, aprendemos que nada foi pedido a Abrão, senão que cresse, que confiasse.

Mas agora surgem as implicações em profundidade e extensão. Em profundidade porque a crença, a confiança, deveria ser demonstrada em total dedicação, como é exigido no versículo 1: “Anda na minha presença e sê perfeito”. Em extensão, porque todos os envolvidos deveriam ser selados, um por um, nas futuras gerações. Percebemos a participação pessoal e a participação coletiva, a fé interior e o selo externo, a justiça imputada pela graça e a devolução demonstrada pela obediência. São lições maravilhosas .

O versículo 1 registra que Deus aparece a Abrão e lhe revela outro nome seu, o “Eu sou o Deus todo poderoso”. Em hebraico, é El Shadai, conforme aparece em Gênesis 28,3; 35,11; 43,14; 48,3; 49,25 e Êxodo 6,3, sempre em conexão com a promessa da descendência. Esse era o nome primitivo de Deus, cujo significado pode ser “Deus do monte ou Deus da montanha”, Deus como único e suficiente, lembrando o salmo 121,1, que destaca o domínio universal de Deus: “Elevou os olhos para os montes: de onde virá o socorro”?

O versículo 1 do capítulo 17 de Gênesis ainda continua... anda na minha presença e sê perfeito. Que é o que Deus requer de todos nós. Depois da tentativa desastrada de Abrão e Sarai de obter a descendência prometida através de Agar, Deus interveio e, de modo muito claro, disse a Abraão: Ande segundo a minha vontade, ande comigo e seja íntegro. Tenha um coração confiante e seja maduro.

Deus deixou claro que só cumpriria os benefícios prometidos na aliança se ele fosse um servo fiel e obediente. Sua fé devia ser acompanhada pela obediência que vem pelo amor.

A frase do versículo 2 confirma aquilo que Deus disse anteriormente a Abrão: a aliança e a grande descendência que seria multiplicada tal qual as estrelas, que não podiam ser contadas.

No versículo 3, quando Abrão se prostra e se curva diante da presença sublime de Deus, demonstra que reconhece sua condição de servo diante do Senhor, até que, mais tarde, depois de caminhar e conhecer mais, torna-se amigo de Deus. Ao estabelecer a aliança, Deus especifica claramente as obrigações das duas partes.

Nos versículos de 4 a 8, Ele declara a sua parte (gentileza ler novamente esses versículos). Que versículos interessantes! Vocês percebem o que Deus está colocando como parte dele, como responsabilidade nessa aliança? Vejam as sete obrigações de Deus em relação à aliança com Abrão:

• Deus estava estabelecendo a aliança entre Ele e Abrão. Uma aliança perpétua, que diz ser dele – “minha aliança” porque estava propondo esse relacionamento.

• Deus faria Abrão ser pai de muitas nações.

• Mudaria o nome de Abrão para Abraão, para ficar de acordo com a sua descendência e de muitas nações.

• Tornaria Abrão fecundo, isto é, com a possibilidade de ter mais filhos.

• Faria com que reis descendessem de Abrão.

• Seria o Deus de Abraão e de sua descendência

• Daria Canaã, a terra das peregrinações de Abrão, por possessão perpétua.

Meus caros estudantes e leitores deste folheto 11, que promessas maravilhosas! Que palavras encorajadoras!

Nos versículos de 9 a 13 (gentileza ler novamente), temos o outro lado da aliança, o lado de Abraão, que também é especificado. Encontramos neste texto sete elementos que Abraão deveria cumprir como sua parte na aliança que estava sendo estabelecida:

• Junto com a sua descendência deveria guardar a aliança.

•Circuncidar todo o macho da sua descendência.

• Considerar a circuncisão como sinal da aliança.

• Circuncidar todo macho logo aos oito dias de idade.

•Circuncidar todo servo que nascesse nos seus domínios.

•Circuncidar todo servo comprado, qualquer que fosse sua origem.

• Considerar essa aliança de caráter perpétuo.

No versículos 14, vocês conseguem entender que Deus e Abraão estavam estabelecendo uma aliança perpétua, isto é, permanente? Esse estabelecimento da aliança era algo muito sério e sua quebra envolveria a morte. E, como vimos no capítulo 15, ao aceitarem a aliança, as partes faziam o juramento, invocando a maldição sobre si mesmas. Em certo sentido, simbolicamente, Abraão estava dizendo: “Se eu não for leal na fé e na obediência ao Senhor, que a sua espada elimine a minha descendência, assim como cortei o meu prepúcio”. Espiritualmente, a essência da aliança é como o “sim”, “o aceito” que os noivos dizem ao se casarem.

Outro fato importante que deve ser destacado é a abrangência da circuncisão, demonstrando que Deus nunca fez acepção de pessoas: não só a descendência legítima poderia e deveria participar da aliança, mas também os servos, quaisquer que fossem suas origens.

Êxodo 12,44 diz que esta aliança com Deus também foi aberta para qualquer gentio que viesse pertencer totalmente à comunidade de Israel. Deus é Deus de todos! A salvação divina é para todos! Esse é o nosso Deus gracioso e misericordioso para com todos!

Nos versículos de 15 a 22, Deus mudou o nome de Sarai para Sara, que significa princesa, simbolizando a nova situação em que se encontrava por causa da promessa, porque seria mãe das nações e de reis, cumprindo o propósito do Senhor. Quando Deus também se comprometeu com Sara, Abraão, ao ouvir de novo a promessa, ao prostrar-se diante do Senhor, riu e, consigo mesmo, questionou como se daria a sua concretização.

No versículo 17, mais uma vez, encontramos uma demonstração de falta de fé. Uma demonstração de dúvida diante da promessa do Senhor. E quando Abraão duvidou da promessa, sugerindo que Deus abençoasse a Ismael dizendo: Tomara que viva Ismael diante de ti (v.18). Deus continuou sendo paciente, amoroso e compreensivo? Paciente, porque, mesmo diante da sugestão imprópria de Abraão querendo colocar Ismael, filho de uma atitude sem fé, como seu descendente, Deus prometeu abençoá-lo. Amoroso, porque abençoaria indiretamente Abraão, fazendo Ismael fecundo e multiplicando a sua semente. Compreensivo, porque entendeu a preocupação de Abraão com Ismael, que, mesmo não tendo o filho da promessa era o seu primogênito, dizendo que faria Ismael gerar doze príncipes, tornando-o uma grande nação (Gn 25,12-16).

Nos versículos de 19 a 21, Deus confirmou de novo, de modo muito claro a Abraão, que sua descendência viria através de Sara. Deu-lhe o nome do filho que se chamaria Isaque (riso), e afiançou que ele nasceria dentro de um ano. E, assim, com essas palavras e promessas, o versículo 22, termina dizendo que Deus encerrou a solene conversa com Abraão e se recolheu, elevando-se às alturas. Não é para confiar nesse Deus tão bondoso e misericordioso? Com certeza sim! Mesmo quando falhamos, Ele, que conhece nossas limitações, está sempre pronto a nos perdoar e a oferecer uma nova oportunidade.

O capítulo de Gênesis 17 termina com uma narrativa muito significativa do Patriarca obedecendo a Deus com prontidão. Abraão estava com 99 anos de idade e Ismael com 13 anos e foram circuncidados no mesmo dia. Por ordem de Abraão, todos os demais machos de sua casa também foram circuncidados.

EXERCÍCIO

01.Quais os elementos em destaque do capítulo 17?

02.Qual a diferença da aliança em Gênesis 15 e Gênesis 17?

03.Como você explica a mudança de nomes neste capítulo?

04.Explique o que é a circuncisão.

05.De acordo com a introdução, que comentário importante você faz deste capítulo?

06.Descreva as sete obrigações de Deus em relação à aliança com Abrão.

07.Cite os sete elementos que Abrão deveria cumprir como sua parte na aliança com Deus.

08.De acordo com o versículo 17, como você entende esses atributos de Deus: paciente, amoroso e compreensivo?

Explique esses nomes:

• YHWH

• EL SHADAI

• Isaque

• Abrão

• Abraão

• Sara

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DE APROFUNDAMENTO

● Bíblia de Jerusalém

● Storniolo, Ivo – Balancin E., Como ler o Livro do Gênesis, São Paulo: Paulus 1991

● Bergant, D. – Karris.R, The Collegeville Bible Commentary.Minnesota :EUA - 1989

●Deisseler, Alfons., O anúncio do Antigo Testamento, São Paulo: Paulus 1984

●Ravasi, Gianfranco., A narrativa do Céu – As histórias, as ideias e os personagens do Antigo Testamento, São Paulo: Paulinas 1999

●Bright, John., História de Israel, São Paulo: Paulus 2000

●Pierre, Grelet., Homme qui es tu ? Les onze premiers chapitres de la Génèse, Paris, Cerf 1973

●Drolet, Gilles., Compredre l’Ancien Testament, Canadá 2006

●São Geronimo., Antigo Testamento, São Paulo: Paulus 2011

●Anotações do Pe. Neto

ELABORAÇÃO – Pe. Raimundo Nonato de Oliveira Neto – Pároco da Paróquia de São Vicente de Paulo e Especialista em Teologia Bíblica pela UNION THEOLOGICAL SEMINARY, Nova York– E.U.A- 1993 e pelo CENTRO BÍBLICO VERBO DIVINO – São Paulo – 2007 -2008.

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