Paróquia de São Vicente de Paulo

Curso Bíblico: Gênesis – 24ª Semana

 

PARÓQUIA DE SÃO VICENTE DE PAULO
3ª URGÊNCIA DA AÇÃO EVANGELIZADORA
IGREJA, LUGAR DE ANIMAÇÃO BÍBLICA E VIDA PASTORAL
ESTUDO BÍBLICO CAPÍTULO POR CAPÍTULO

 

Objetivo – Fazer com que as nossas comunidades leiam, conheçam e ponham em prática a Palavra de Deus.

 

Gênesis – 29,1-35 – Folheto 24

 

Introdução – Na Introdução do folheto passado, Nº 23, eu o finalizei dizendo que os livros do Pentateuco ou Torah compõem uma grande obra, que pode ser lida em sequência, sendo cada livro ligado a outro e formando uma narração ou corpo coerente de informação.

 

Hoje, na introdução deste folheto Nº 24, quero mostrar aos nossos leitores e estudantes de Teologia Bíblica dois modos de dar nomes aos livros.

 

Existem dois textos fundamentais de Torah: o texto hebraico, também chamado de “Bíblia dos Setenta”, “Bíblio Septuaginta” ou mesmo “Bíblia Grega”. Repetindo: o texto hebraico é igual ao texto massorético. Septuaginta é a Bíblia Grega ou dos Setenta.

 

Não que sejam “dois livros de Torah” diferentes. É uma Torah, na versão hebraica e na sua versão grega: portanto, duas versões. Alguns autores veem grandes diferenças entre os dois textos da Bíblia. De fato, eles as têm: diferenças de conceitos, de nomes de pessoas e lugares bem como de tempo. Uma das diferenças, talvez a que mais apareça, é o próprio nome de cada livro. A Bíblia hebraica tem um modo de dar o nome; a Bíblia Grega tem outro modo. Vejamos:

 

Na Bíblia Grega, a Septuaginta, os livros bíblicos são chamados pelo sentido geral que apresentam. São nomes que o Cristianismo herdou e aportuguesou, buscando facilitar a leitura. Claro que nem sempre foi encontrado um nome adequado, que realmente expressasse o sentido e

 

o conteúdo do livro. Por exemplo, Números não expressa bem o conteúdo do texto.

 

Na Bíblia Hebraica, o nome do Livro é, em geral, a primeira palavra do texto; pode ser também as duas primeiras palavras. Na antiguidade, em geral, era assim que se dava o nome dos livros.

 

HEBRAICO GREGO PORTUGUÊS

 

Bereshit Genesis Gênesis

 

Shemot Éksodos Êxodo

 

Wayyigra Leuitikon Levítico

 

Bemidbar Arithmoi No deserto (Números)

 

Haddebarim Deuteronomion Deuteronômio

 

ESTUDO DO GÊNESIS – 29,1-35 (leiam o texto)

 

Neste capítulo 29 de Gênesis, vamos contemplar as esposas de Jacó, Lia e Raquel e seus primeiros filhos; nos versículos de 1 a 12, encontramos Jacó caminhando para o Oriente à procura da família de sua mãe. Provavelmente cansado pela noite mal dormida, diante da especial visão que tivera, por volta do entardecer Jacó aproximou-se de um poço. Era um bom poço, que estava tampado com uma grande pedra que só seria removida depois que todos os rebanhos se agrupassem para serem dessedentados. Logo ao chegar, Jacó travou conversa com os pastores que ali estavam para identificá-los e se certificou sobre o local. Confirmando que era o lugar que procurava, perguntou por seu tio Labão. Descobriu, então, que estava próximo do final da sua viagem e certamente ficou contente e muito animado.

 

Depois de algum tempo, quando Raquel chegou com seu rebanho, em um ato de firmeza e demonstração de força, Jacó tirou a grande pedra do poço e deu água ao rebanho que ela conduzia. Então, se identifica para Raquel e, ao receber a confirmação de que estava diante de sua prima, filha de Labão, beijou-a, chorou e lhe contou toda a aventura que enfrentara até chegar ali. Raquel, imediatamente, correu até o pai para dizer o que tinha acontecido e como, surpreendentemente,

 

encontrara Jacó. Duas coisas devem ser destacadas até este ponto. Em primeiro lugar, a remoção da grande pedra que tampava o poço foi um feito incomum, demonstrando que Jacó deveria ser um jovem muito forte para conseguir realizar tal façanha. Assim, aquela ideia de que Jacó fosse um frágil, débil, porque era um rapaz mais caseiro, foi desfeita com essa atitude. E, em segundo lugar, destaca-se o choro de Jacó ao encontrar Raquel. Percebemos nele um jovem aliviado por chegar a um lugar seguro. Por estar passando a primeira noite fora de casa, fugindo do seu irmão, que queria matá-lo, e viajando por lugares desconhecidos, certamente seu coração estava temeroso. Ao encontrar Raquel e a identificar como sua prima, sentiu-se aliviado e protegido pelo Senhor.

 

Nos versículos de 13 a 20, está registrado o encontro de Jacó com Labão. Tão logo o tio soube do acontecido, foi ao encontro do sobrinho e o trouxe para sua casa. Jacó contou toda a sua experiência para Labão e não apenas as aventuras de sua viagem. Provavelmente, contou toda a sua vida e o motivo que o conduziu a Padã-Arã ou Hará. Podemos concluir que, enquanto ouviu o longo relato de Jacó durante o jantar, Labão, ainda impressionado com a força que ele demonstrara no poço, ficou imaginando como o sobrinho poderia ser mais um braço forte no trabalho com suas propriedades. O texto continua e descreve brevemente as duas filhas de Labão (versículos 16 e 17). Lia significa “vaca selvagem”. Era a filha mais velha, tinha os olhos baços, que quer dizer tenros, sugerindo que eram olhos fracos tato na visão como na cor. Raquel significava “ovelha”. Era a filha mais nova, formosa de porte e de semblante. Uma bonita moça, sempre disposta para o trabalho duro, pelo fato de ser uma pastora.

 

Raquel conquistou o coração de Jacó que, para tê-la como esposa, se dispôs a trabalhar durante sete anos para Labão. O costume daqueles dias era que o noivo pagasse um dote pela jovem com quem desejava se casar. Mas Jacó, sem ter o que oferecer, se dispôs a trabalhar como forma de pagamento para poder desposar Raquel. Labão, que estava de

 

olho em seu trabalho, aceitou rapidamente. Essa parte termina com o versículo 20, que nos relata, em resumo, o efeito do amor sobre as pessoas (leiam o versículo 20).

 

Nos versículos de 21 a 30, temos as mais contundentes situações experimentadas por Jacó: a) depois de sete anos de trabalho Jacó pediu a Labão que cumprisse o que foi acertado entre eles (versículo 21). Jacó queria se casar: b) Labão preparou a festa, convidou todos os seus amigos, e tudo foi devidamente executado; c) encontramos a atitude enganadora e mentirosa de Labão, que entregou Lia, e não Raquel, a Jacó; d) Jacó descobriu, na manhã seguinte, depois de relacionar-se sexualmente, que estava casado com Lia e não com Raquel. Em seguida, foi até a presença de Labão para reclamar; e) Labão, o enganador, deu uma boa desculpa a Jacó, o enganado, para o seu ato de esperteza: o costume local da obrigatoriedade de casar primeiro a filha mais velha o levou a enganar o sobrinho; f) Labão propôs um novo trato a Jacó: entregar Raquel depois de uma semana, quando acabassem as festividades do casamento, mas o preço seria mais sete anos de trabalho em suas terras; g) Jacó afirmou que amava mais Raquel do que a Lia. E mais uma vez demonstrou o seu amor por ela, submentendo-se a outra jornada de sete anos de trabalho para tê-la como esposa (versículos de 28 a 30). O texto ainda diz que Labão deu servas às suas filhas: Zilfa, como serva de Lia, e Bila, como serva de Raquel. Essas moças não seriam somente ajudantes das duas irmãs, mas, como veremos posteriormente, se tornariam mães de alguns dos doze filhos de Jacó.

 

Nos versículos 31 e 32, vemos que Raquel é estéril, enquanto Lia concebe um filho, que será chamado Ruben. Seu primeiro filho recebeu o nome de Ruben porque Deus tinha atendido a sua aflição. Ainda teve mais filhos: Simeão, Levi, que deu origem à tribo sacerdotal de Israel.

 

O capítulo 29 termina com o versículo 35, que nos relata o nascimento do quarto filho de Lia, Judá, que deu origem à tribo real e proporcionou uma oportunidade ímpar de louvar ao Senhor. Vemos, então, que Lia, a

 

desprezada, foi honrada e abençoada por Deus para que desse à luz filhos e assim equilibrasse o interesse e o amor de Jacó pelas duas irmãs.

 

Nessa ação direta de Deus, vemos o cuidado e a bondade dele para com aqueles que são desprezados e sofrem injustiças. O nosso Deus é um Deus protetor, é um Deus que nos ampara!

 

Mesmo hoje, podemos experimentar essa proteção e o amparo de Deus em nosso dia a dia.

 

EXERCÍCIO

 

1. Segundo a introdução deste folheto 24, quais os dois textos fundamentais de Torah?

 

2. Dê o nome dos cinco primeiros livros da Bíblia nas línguas: hebraico, grego e português.

 

3. O que contemplamos no capítulo 29 de Gênesis?

 

4. Quais os personagens (nome de pessoas) que aparecem neste capítulo?

 

5. Dê o significado de:

 

a) Lia -

 

b) Raquel -

 

c) Ruben -

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DE APROFUNDAMENTO

 

● Bíblia de Jerusalém

 

● Storniolo, Ivo – Balancin E., Como ler o Livro do Gênesis, São Paulo: Paulus 1991

 

● Bergant, D. – Karris.R, The Collegeville Bible Commentary. Minnesota: EUA - 1989

 

● Deisseler, Alfons., O Anúncio do Antigo Testamento, São Paulo: Paulus 1984

 

● Ravasi, Gianfranco., A narrativa do Céu – As histórias, as ideias e os personagens do Antigo Testamento, São Paulo: Paulinas 1999

 

● Bright, John., História de Israel, São Paulo: Paulus 2000

 

● Pierre, Grelet., Homme qui es tu ? Les onze premiers chapitres de la Génèse, Paris; Cerf 1973.

 

● Drolet, Gilles., Compredre l’Ancien Testament, Canadá 2006

 

● São Gerônimo., Antigo Testamento, São Paulo: Paulus 2011

 

● Anotações do Pe. Neto

 

• Arens, Eduardo., A Bíblia sem Mitos - Uma introdução crítica – São Paulo: Paullus 2007

 

• J.L,Ska , Introdução ao Pentateuco . São Paulo: Loyola, 2003

 

• J.L. Ska, O Antigo Testamento – Explicado aos que conhecem pouco ou nada a respeito dele, São Paulo: Paullus 2015

 

ELABORAÇÃO – Pe. Raimundo Nonato de Oliveira Neto – Pároco da Paróquia de São Vicente de Paulo e Especialista em Teologia Bíblica pela Union Theological Seminary, Nova York– E.U.A - 1993 e pelo Centro Bíblico Verbo – São Paulo – 2007 -2008.

 

Mensagem

...Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.

Este é o primeiro e grande mandamento.

E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo...

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