Paróquia de São Vicente de Paulo

Vigésimo domingo do tempo comum - 2016

 

Na vida de Cristo verificou-se a profecia de Simeão quando, como criança, foi apresentado no templo: “Este menino vai ocasionar a queda e reerguimento de muitos em Israel; ele será um sinal de contradição, para que se revelem os pensamentos de muitos corações” (cf. Lc. 2,34). Eco destas palavras é o que Cristo afirma no Evangelho de Lucas (12,49-53): “Pensam acaso que vim trazer paz a terra”? Não eu lhes digo, vim trazer a divisão, inclusive entre os membros de uma mesma família.

 

O cristão autêntico, que é fiel ao Evangelho, não pode, no mínimo, deixar de se converter em pedra de tropeço e sinal de contradição, pois seus critérios se oporiam necessariamente aos do mundo. Se não abandonar a estrada do seguimento, o discípulo participara inevitavelmente da condição de seu Mestre, que “veio trazer fogo a terra”, abrindo assim aera escatológica do juízo de Deus e desejando um batismo de fogo: sua paixão e morte pela salvação do mundo.

 

Cristo é nossa paz efetivamente (cf. Ef. 2,14); mas a paz messiânica que ele trás não é uma falsa paz a qualquer preço, porque não é conformismo com a injustiça, o egoísmo, o desamor, a doce comodidade de status, o laxismo e a mentira. A paz de Jesus não é a que o mundo dá. Para alcançar sua paz é preciso uma luta contra o mal, uma divisão entre luz e trevas, uma guerra, em última instância. É a violência que sofre o Reino de Deus por parte daquele que quer consegui-lo.

 

Cristo necessita de testemunhas dos valores do Reino. Para um mundo carente de valores e de espírito, fez muita uma cura de emergência e um tratamento intensivo a cargo daqueles que levam ou deveriam levar consigo o Espírito com maiúscula, para mostrar os autênticos valores espirituais e humanos: desprendimento e solidariedade, amor e oração, carência e responsabilidade, paixão pelos direitos humanos, pela verdade e liberdade, compromisso com a justiça e libertação de toda escravidão e discriminação: social, cultural, religiosa, política e econômica, assim como promoção de quem necessita como pessoa, cidadão e como filho de Deus. Onde existirem testemunhas assim, haverá comunidade cristã cuja lei constitucional é o amor, como disse Cristo. Mas onde não há testemunho e nem missão no mundo, tampouco haverá comunidade, nem Espírito, nem presença de Jesus, nem evangelização, porque falta o testemunho que é o seu elemento essencial.

 

Em síntese, podemos dizer: o cristão de verdade que segue radicalmente a Jesus, não pode ser neutro, indefinido para não dizer passivo ou ausente, a respeito da missão do evangelho no mundo. Sua fé tem que ser comprometida com o Reino de Deus inaugurado por Jesus.

 

Pe. Raimundo Neto

 

Pároco de São Vicente de Paulo

Mensagem

...Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.

Este é o primeiro e grande mandamento.

E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo...

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